Thursday, October 21, 2010

Xirrim Xirrion do mercado


É muita coincidência pro meu gosto...


Desde o feriado, nos últimos 6 pregões tivemos 4 dias com pouca/média volatilidade e dois dias bem "divertidos" no mercado, sendo que hoje tivemos mais de 2.000 pontos de oscilação no mini contrato futuro.

Considerando o fato de que o mercado não conseguiu superar os 73.000 pontos e derreteu bem depois de um Setembro de alta, uma olhada rápida no gráfico diário pouco diz sobre qualquer padrão para esses dias.

Porém, em todos eles todos os players que tentaram jogar com uma continuidade da tendência de baixa no gráfico de 1 min foram esmagados pelo mercado que reverteu nos 6 dias seguidos com tanta ou mais força do que o movimento de queda inicial


A figura abaixo pode explicar melhor do que eu, marquei a data e o horário da mínima para facilitar(clique para ampliar)...




...Traders vs Traders... Padrõezinhos manjados xirrim, dinheiro xirrion...


 

Thursday, October 14, 2010

13 hit combo

Hoje acabei com uma bela seqüência de 13 dias positivos Day trading no mercado e algumas considerações precisam ser feitas...

1 - Conforme a confiança na "habilidade" de montar posições aumenta, maior a dificuldade em se fechar uma posição que violou um stop e menor o tempo que estamos dispostos a ficar com uma posição vencedora aberta, com medo de que esta torne-se uma perdedora

2 - A paciência para encontrar pontos favoráveis diminui – Isso pode levar a "experimentação" de estratégias não testadas ou simplesmente operar qualquer coisa

3 - O tempo gasto com preparação e revisão dos resultados tende a diminuir

4 - O tamanho das posições aumenta

Juntando todos os pontos acima e considerando que o mercado é "quase" aleatório é perfeitamente aceitável que um dia as coisas não vão ir tão bem e que erros serão cometidos e o resultado:

1 – Medo de deixar operações vencedoras andarem gera um retorno cada vez menor, não respeitar stops aumenta o risco

2 – operar qualquer coisa aumenta ainda mais a chance de um resultado desfavorável

3 – Menos preparação/revisão = mais chances de erros

4 – Maior posição = Maior risco

No final das contas essa diminuição da disciplina gera retornos menores, aumenta as chances de um resultado adverso e este quando aparece é devastador...

Hoje, apostei pesado na continuidade da tendência de alta, errei e demorei para admitir, o resultado foi uma perda maior do que o que eu gostaria...


 

Wednesday, October 6, 2010

As vezes é melhor nem tentar entender...

Já tem um certo tempo que opero os mini contratos futuros do índice Bovespa e uma das coisas que mais me deixa perplexo é o "apego" dos traders por certos preços, ou melhor, como podem alguns players defender posições em determinados preços com tanto afinco, se esse ativo especificamente é o "derivativo do derivativo do derivativo"?

De uma maneira extremamente simples os traders compram e vendem ações, o movimento agregado de todas essas compras se constitui as variações do índice Bovespa que "somado" a um premio de risco constitui o contrato futuro do índice Bovespa e que por motivos lógicos tem que ter o preço "igual" ao do seu priminho, o mini contrato de índice.

Eu já acho presunçoso demais tentar fazer previsões no preço de uma ação só, onde as forças de oferta e demanda agem diretamente, imagine tentar prever como todas essas forças em diferentes ativos, ponderados por sua participação mais a percepção de risco vão afetar o preço do seu contrato futuro...

...Ainda assim, dia após dia, é possível identificar pontos de referência nos gráficos do mini índice, hoje logo depois ADP Employment Report(9:15) deu para fazer uma venda que resistiu por mais de 45 minutos a romper 71400, depois de romper e fumar uns 300 pontos o preço retornou para 400, caiu uns 200 pontos, subiu para 500, mas não resistiu...

Tuesday, September 14, 2010

Aquilo que pensas...



Uma daquelas frases de efeito manjadas do mercado é "opere o que você vê, não o que você pensa". A abertura de hoje teve um belo exemplo disso.

Hoje as 9:30 daqui teríamos o anuncio do "Retail Sales" lá fora, que era o indicador mais esperado para o dia, então o mercado abriu e ficou em um range mais ou menos apertado até as 9:30 quando saíram os números.

Eu não tenho news feed e nenhuma outra maneira de checar esse número em tempo real, então tenho que confiar no que vejo no gráfico. Assim que saiu "retail" o futuro de Bovespa subiu mais de 200 pontos, mas falhou uma, duas, três...seis vezes em romper a barreira dos 68700 com um belo volume. Além disso, eu particularmente gosto dessas barras com sombras alongadas no gráfico de 1min, mostra que o pessoal estava bem afobado toda vez que o preço toca determinado nível.

Para finalizar, esse padrão de mudança de direção sempre que sai uma notícia nova é sempre bem lucrativo, pois prende alguns traders com posições que começam a fumar forte contra eles (como por exemplo o "pato esmagado").



No final das contas o "retail Sales" até que foi bom ficando próximo a máxima do consenso, mas não é isso que paga nossas contas no final do mês...

Wednesday, September 8, 2010

Alguns comentários sobre o livro - One good Trade



Acabei de ler um livro extremamente interessante chamado "One good trade: Inside the Highly Competitive World of Proprietary Trading" escrito por Mike Bellafiore o qual dá uma visão bem diferente do que estamos acostumados nos livros de mercado financeiro.

Primeiro, não é um livro com receitas de bolo do tipo: -"se a ação XYZW4 romper a máxima do dia e a média móvel de N dias estiver inclinada para cima junto com blábláblá, então é uma compra". Ou pior, aqueles que usam indicadores malucos para tomar decisões: - "se o PQP17 estiver em uma região de sobre-compra então é uma venda"

Segundo, é um livro que relata o dia-dia de uma "prop trading firm" (a qual o autor é o dono), algo muito parecido com uma mesa de operações de banco. Só que nesse caso, a remuneração dos traders é uma parcela dos seus ganhos no mercado, diferente dos salários + bônus dos operadores de bancos. Além disso, eles se consideram "traders", não investidores, com posições muito menores do que a de fundos de investimentos, ou mesas de bancos eles tem a possibilidade de serem muito mais ágeis nas suas operações.

Terceiro, e mais importante, é um livro sobre trabalho duro. O autor não se cansa em estressar a importância de se trabalhar extremamente duro para que seus traders consigam tornar-se consistentemente lucrativos. O livro é todo cheio de histórias de traders que operam ou já operaram na sua empresa e todas elas são utilizadas para explicar pontos importantes da filosofia de trabalho desses traders e um bom punhado dessas histórias é de traders que falharam no meio do caminho, por uma série de motivos.



E para nós pequenos investidores brasileiros, onde é que esse livro pode agregar valor?

No final das contas em "One good trade" é possível encontrar várias lições importantes, como os fundamentos de uma boa operação (preparação, trabalho duro, paciência, um plano detalhado, disciplina, comunicação e replays das operações), os fatores que o autor considera compor sua pirâmide de sucesso (ser não-original, sobreviver a curva de aprendizado, melhorar a cada dia, desenvolver um plano, retornar da derrota, eliminar os erros...) e os vários motivos pelos quais os traders falham em sobreviver na sua profissão.

Para nós aqui no Brasil, principalmente para quem opera de casa sozinho alguns pontos importantes do estilo de operar desses traders acabam sendo comprometidos, como por exemplo, a escolha de "stocks in play", ou em outras palavras ações com algum motivo para mover-se no dia (geralmente ações que estão no noticiário, com bom volume de negócios, que tiveram um belo gap de abertura ou demonstraram algum nível importante na fita), pois com o nosso "universo" de ações a escolher as nossas "stocks in play" vão invariavelmente ser as mesmas quase sempre já que temos no máximo umas 50-60 ações para escolher.

Outra coisa diferente é relacionada a tecnologia, o autor com um ar saudosista lembra da época em que ele operava com uma plataforma que podia cair a qualquer minuto e ficar por horas inoperante ("back in the Day"). Hoje em dia minha plataforma cai sem aviso, fica fora do ar por um tempão, inverte ordens e é extremamente lenta. Eu tenho que colar na raça as "setinhas" das minhas operações, tenho que programar várias maneiras de obter os dados das minhas operações, pois o sistema não consegue juntar os dados necessários para estudar minhas operações em um lugar só e por aí vai...

Por fim, todos os benefícios de se estar em um ambiente específico para operar no mercado, com outros profissionais, participar de comunidades, traders ajudando uns aos outros, passando os preços importantes nas ações, reforçando os fundamentos ("feche esta operação, ela já rompeu seu Stop Loss", "você estourou seu limite do dia, vá operar no demo!"), discutindo os replays, idéias para o próximo dia etc. são muito difíceis de serem conseguidos ainda aqui no Brasil...quem sabe daqui um tempo...



O veredito final é um ótimo livro para traders com pelo menos conhecimento intermediário no mercado de ações, os quais vão poder tirar um maior proveito das boas lições contidas nesse livro.

Wednesday, September 1, 2010

Respeite seus STOPS, caso contrário...

A fúria insana tomará conta da sua cabeça e farás mais besteira ainda...


Thursday, August 26, 2010

Identificando Fraqueza

Aqui no Brasil nós "traders" podemos ter uma série de desvantagens tecnológicas em relação aos traders dos países mais "desenvolvidos", mas essas deficiências até certo ponto podem ser utilizadas a nosso favor.

Tem um tempo já que eu nesse humilde blog falo sobre a possibilidade de identificar

compradores e vendedores com facilidade na fita do mini contrato futuro de Bovespa.

Geralmente é um punhado de indivíduos que dá a direção do mercado e o resto segue (se quiser).

Terça dia 24 foi um bom exemplo, o mercado abriu bem fraco (quase -1,0%) e conforme o pregão se desenrolava os vendedores ficaram cada vez mais agressivos, sendo que a maioria das ordens era executada no preço de compra. Depois de alguns minutos ficou fácil ver quem é que estava com mais balas na agulha.

As 9:06 encontrei uma ordem grande de compra a 66.150, isso pode marcar um nível interessante que vale a pena ser monitorado.

6 segundos depois essa ordem foi inteira engolida por um único participante e o mercado pausou. Bom... o Stop loss está dado, para qualquer lado que esse mercado for o outro participante vai ter que se desfazer da operação perdedora o que vai impulsionar ainda mais o mercado. Como o mercado não estava conseguindo operar acima de 150 e o viés já era negativo mesmo vendi.

A partir desse momento foram 16 minutos de pura alegria com o mercado conseguindo pausar a queda por apenas 2 minutos até que o grande comprador das 9:06 estava de volta para vender sua posição comprada a 66.000, que clichê...Bom, nesse momento mais um nível importante está dado, agora 66.000. O mercado caiu mais 50 pontos e foi incapaz de cair abaixo da ordem de compra de 27 contratos a 65.950, o vendedor não estava mais lá...hora de fechar a posição vendida e repensar...

Friday, August 20, 2010

Processos


Existem certos tópicos no dia-dia de um trader que são discutidos com uma certa freqüência, mas as vezes nem nos damos conta que talvez eles estejam nos afetando.

Ultimamente parei um pouco para pensar nas diferenças entre focar no processo de operar no mercado em oposição ao foco no resultado do trabalho. De que forma devemos avaliar o resultado do nosso trabalho diariamente? Devemos analisar os trades baseados na qualidade da execução, no quanto conseguimos operar de acordo com o planejado, se fechamos uma posição vencedora prematuramente ou deixamos uma perdedora fumar nossa conta etc ou será que todas as opções anteriores serão refletidas diretamente no resultado final de cada trade, ou seja, no dinheiro?

Focar nos processos de trabalho aparentemente pode parecer uma opção inferior, pois corremos o risco de parecer "bobo-alegre" (com a conta totalmente vermelha e feliz por ter sido paciente em comprar XYZW3 a 30,00 ao invés de 30,10!), porém é a opção mais "recomendada" pelos traders profissionais, "psicólogos de mercado" e especialistas em desempenho.


Quando o objetivo do negócio é ganhar dinheiro é difícil mesmo focar em outras coisas que não sejam o dinheiro em si. Por várias vezes já me peguei olhando para meu resultado do dia e lembro-me de isso ter afetado os resultados ou por fechar uma posição antes da hora para "zerar" uma operação perdedora anterior, operar mais agressivamente para se "recuperar" de uma seqüência de perdas ou simplesmente parar de operar por já ter atingido um "bom resultado" no dia. Todas essas atitudes tomadas baseadas no resultado do dia são sub-ótimas ao operarmos no mercado e não tem NADA a ver com a operação em si. O fato de eu ter ido bem ou mal no passado não tem nada a ver com a probabilidade da próxima operação dar ou não resultado.

Foco no processo, ou seja, nas boas práticas que levam a um melhor aproveitamento no mercado é provavelmente uma boa maneira de otimizar o resultado de nossas operações. Em uma analogia besta, jogar Pacman seria MUITO mais difícil se tivéssemos que prestar atenção na pontuação ao invés de fazer o que realmente importa...

Wednesday, August 4, 2010

Matemática de Padeiro 04/08/10


Dada uma oportunidade de operação simples (a compra de um pullback depois de um "news event" lá fora) vamos pensar em algumas possibilidades:

Olhando a figura acima a resistência dada pela máxima que gerou o pullback está a uns 50 pontos do ponto de entrada, daí existem alguns possíveis cenários:

1 – o mercado fuma e aciona os stops 50 pontos abaixo

2 – o mercado sobe e chega na resistência, o que se desdobra em 2 possíveis ações:

2.a fechar a posição toda

2.b fechar metade e subir o stop para o break even

Considerando um "mercado perfeito" o trader tem 50% de chances de acertar essa operação, o que faz com que a opção 2.a tenha um retorno esperado de zero (desconsiderando todos os custos).

Já a 2.b pode se desdobrar em mais alguns cenários(com algumas probabilidades chutadas e considerando os 50% de chances de já ter sido fumado na operação):

1 – o mercado fuma e saímos zerados da operação (25% de probabilidade)

2 – o mercado sobe 50 pontos e aí fechamos a 2° metade da operação (12,5% de probabilidade)

3 – o mercado sobe 100 pontos e aí fechamos a 2° metade da operação (12,5% de probabilidade)

Dessa forma o retorno esperado em pontos pode ser porcamente calculado(para uma operação com 2 contratos):

-100*(50%) + 25%*(+50 – 50) + 12,5%*(50+100) + 12,5%*(50+150) = -6,25

Nesse caso específico o retorno esperado da operação seria -6,25 pontos


...Esse é um exercício até simples demais, mas é bom para refletirmos. Apertar mais os stops e deixar as operações correrem por mais tempo pode ser uma idéia, em contra partida o número de operações perdedoras vai aumentar, qual seria o ponto ótimo?


Monday, August 2, 2010

Range, Range, Range...

Nos últimos dias tenho percebido que a abertura dos negócios dos mercados futuros (especialmente os mini-contratos) tem sido consistentemente "chatas"...(talvez por isso houve uma diminuída no número de postagens...não há muito sobre o que falar)

Não é raro ver uns 3-5 minutos de volatilidade logo na abertura (9:00 – 9:05) enquanto os mais afobados ajustam suas posições e depois disso o mercado se fecha em um range bem apertado de 50-100 pontos e fica assim até as 9:30 (se tiver news) ou até a abertura da Bovespa as 10:00 (caso não tenha news).

Mesmo em dias fortes como hoje o mercado abriu com um belo gap, ajustou daqui, ajustou dalí, 9:12 parou mais ou menos em 68700 e assim ficou até as 9:57.

Com 50 pontos de range e 50 pontos de stop loss, pagando R$1,5 por negócio/contrato é igual a um resultado de R$7,0 se acertar ou R$-13,0 se errar. Com isso seria necessário acertar pelo menos 65% das operações para ficar zerado! (isso sem considerar o spread de compra e venda...que provavelmente fumaria um pouco mais da posição no caso de um "stop" acionado)


Estamos precisando de mais uma crisezinha para dar uma "animada" no pessoal...